EDUCAÇÃO EMOCIONAL OU INTELIGÊNCIA EMOCIONAL

                                                   *Márcio Lúcio de Miranda                                                                                                     

A partir de 1995, depois que o psicólogo, com PhD em Harvard, Daniel Goleman publicou o livro Inteligência Emocional - A Teoria Revolucionária Que Redefine O Que É Ser Inteligente - a Inteligência Emocional ficou em alta. Segundo ele era preciso questionar se o coeficiente de inteligência, o famoso QI era uma questão de destino. Se o futuro dos indivíduos estariam irremediavelmente determinado pelas suas capacidades intelectuais. Se as crianças com QI deficientes estariam fadas ao fracasso.

Através de ampla pesquisa científica, Goleman foi capaz de iluminar esse corredor escuro do conhecimento humano que levava muitas pessoas ao abandono e a falta de esperança por parte dos educadores. Através de seus trabalhos ele afirmou, categoricamente, que o controle das emoções é um fator essencial para o desenvolvimento da inteligência do indivíduo.

Goleman provou que, embora haja fatores que determinam o temperamento das pessoas, muito dos circuitos cerebrais da mente humana são maleáveis, podem ser trabalhados e, portanto, o temperamento não precisa ser um destino. Desde então vem se comprovando que certos conhecimentos científicos podem, efetivamente, atuar na transformação do homem.

O grande valor de Goleman está em ter se transformado num escritor de conhecimento internacional possibilitado a difusão desses conceitos.

Em 1955 Albert Elis, considerado, em 2003, pela Associação Americana de Psicologia (APA) como o segundo psicólogo mais influente do século XX, antecedido apenas por Carl Rogers, afirmava através da sua Teoria do ABC que, as consequências ( comportamentos) não eram resultado dos estímulos, mas do sistema de crenças, Das idéias irracionais que as pessoas apreendiam, durante a infância, com aquelas pessoas ditas “‘significativas”. Sua abordagem consistia em anular tais idéias, identificando e questionando-as através da razão. Daí ter sido chamada de Terapia Racional Emotiva. A abordagem de Elis foi a precursora da terapia cognitiva comportamental, tão em moda na atualidade.

Estava ali, lançado os conceitos básicos que iriam muito mais tarde possibilitar a Goleman desenvolver a teoria da inteligência emocional.

Em 1973 Bernard G Berenson e Robert R Carkhuff publicaram, nos Estados Unidos, o livro “The Art of Helping”, traduzido no Brasil por Feldman C. com o nome de “A Relação de Ajuda”, - edição esgotada – propondo um programa para treinar as habilidades de relacionamento interpessoal. Segundo eles o relacionamento interpessoal poderia ser aprendido e a aquisição destas habilidades teria um efeito terapêutico responsável pela melhora da qualidade de vida das pessoas envolvidas nesse programa. Assim foi criada a Educação Emocional, um programa sistemático, terapêutico, baseado na percepção da relação de causa e efeito. Em outras palavras, o que o nosso comportamento provoca nas pessoas com quem convivemos e o que o comportamento delas provoca em nós. Agrega ou desagrega, acrescenta ou subtrai?

O funcionamento emocional das pessoas está ligado aos costumes e aos hábitos que elas herdaram de seus antepassados, bem como e ao sistema de crença delas - paradigmas. O treinamento das habilidades de relacionamento interpessoal possibilita uma reavaliação desses paradigmas e a atualização dos seus valores com base na realidade atual. O treinamento faz com o treinando o mesmo que ele faz quando arruma os seus armários - despreza o que não usa mais, conserva o que é útil e abre espaço para novas aquisições.

Na área empresarial, as organizações que possuem uma tradição de “seguir a liderança” podem investir no treinamento dos seus lideres. Esse treinamento possibilita um upgrate dos seus valores, amplia a percepção e ajuda adquirir uma visão sistêmica dos processos, do mercado e das relações entre as pessoas que são lideradas.

Por outro lado, a ampliação da percepção permite identificar as oportunidades, as potencialidades e as limitações.

As limitações são na verdade resultado da falta de percepção de onde se está, e de onde se quer chegar. A competência é a capacidade de buscar e implementar o "como" fazer para chegar aonde se quer chegar.

 Enfim, há uma grande bibliografia sobre o assunto, muita teoria, mas na prática, o efetivo “balanço contábil”, para saber onde se está, necessário para qualquer tomada de decisão, continua sendo a peça fundamental para o sucesso de qualquer empreendimento.

A consciência de que sem investimento não há retorno é indispensável para o crescimento. Os ditos "negócios da China" não existem mais e, é por isso que, a China ocupa os primeiros lugares no mundo dos negócios. Investir em treinamento é o grande diferencial. O valor do produto é praticamente igual em todas as marcas, mas o entregador, o vendedor agrega valor ao produto e faz a diferença. A máquina assumiu o controle da mão de obra, mas ela, ainda, não é capaz de se relacionar com o cliente. Ela não é capaz de desenvolver o que chamamos de relacionamento interpessoal- relação cliente fornecedor - simplesmente porque não é capaz de sentir e perceber sentimentos.

 

Bibligrafia

·        Feldman C. A Relação de Ajuda – edição esgotada.

·        Feldman C; Miranda ML – Construindo a Relação de Ajuda – Ceap-editora Belo Horizonte – 15ª. edição – 1983.

·        Miranda ML – Construindo a Relação de Ajuda – Guia do Treinador Ceap-editora - Belo Horizonte – 5ª. edição – 1993.

·        ___________ A Relação de Ajuda – Guia do Treinando – Ceap-editora – Belo Horizonte – 6ª. edição 2005.

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