O que há de novo – 20/04/2009
Prece
da Manhã
(Oração
do Ajudador Efetivo do Modelo de Ajuda)
Oh Meu
Deus!
Faça do
meu dia de hoje um dia cheio de dúvidas.
Afasta
as certezas do meu coração.
Ajuda-me
a não ter respostas prontas para aqueles que me perguntam.
Proteja-me
da curiosidade da vida alheia, da bisbilhotice, da morbidez, do sadismo e da
ironia.
Torna-me
cada dia mais ético, sigiloso, capaz de aceitar as pessoas como elas são.
Não me
deixe usar a punição como uma forma de vingança ou repressão.
Livra-me
da importância pessoal e ensina-me a ser um bom minerador.
A usar
a bateia com sabedoria para separar o cascalho das pedras preciosas que cada um
tem dentro de si.
Abranda
o meu coração, tornando-o manso e paciente para que eu possa irradiar a sua paz
e o seu amor.
Faça
comigo o que eu faço com os outros.
Amem.
Índice
22/04/2009
Ø Oração
do Ajudador Efetivo
Ø Seminários
de Fim de Semana
Ø Dois
novos livros a caminho
Ø Seminários
de Fins de Semanas a partir de Maio de 2009
Ø Programação
dos Seminários Durante o Ano de 2009
Ø Seminário
da Escuta com os Missionários Sacramentinos de Nossa Senhora – 50 anos de
história e dedicação.
Ø Término
de mais um Grupo do Finitude no Sítio Sertãozinho na cidade de Moeda
Ø
As infiéis
Ø O Anjo Que Impede a
Passagem ou o Emplacamento Que nos Protege!
Ø
A importância do nome
O Que há de
novo no mês de abril?
O mês de abril está
nos presenteando com ótimas notícias, e alguns temas para serem discutidos com
aqueles com quem convivemos no nosso dia a dia. Começaremos com as boas
notícias e em seguida apresentaremos os temas que irão nos provocar e despertar
a nossa consciência.
Novidades
Seminários de Fim de Semana
Os Seminários de Fim
de Semana, em caráter de imersão que irão revolucionar os conceitos de
treinamento, até então, ministrados na Escola de Educação Emocional. O seu
principal objetivo é atender a uma demanda maior, sem pré-requisitos, bem como
a necessidade daqueles que não podem dedicar um tempo maior para o estudo das
habilidades de relacionamento interpessoal. O Seminário da Finitude poderá,
agora, acolher àquelas pessoas que estão sofrendo, de maneira aguda e intensa,
as suas perdas.
Dois novos livros a caminho
O lançamento, ainda neste
primeiro semestre do “Quem Tem Medo de Sentir – Transcender o Possível para
Tocar no Impossível” é uma outra boa notícia. Diferente de todos os livros que
já foram editados pela Ceap-editora, inaugura uma nova maneira de ensinar e
falar sobre o Modelo de Ajuda. Nele, Vó Gertrudes, uma professora, negra, de
setenta anos, moradora no Aglomerado da Serra, a maior favela de Belo
Horizonte, conta a história de sua família. Amiga íntima de Jesus, conhecedora
profunda do Modelo de Ajuda, que aprendeu na Bíblia e por modelagem nos
relacionamentos do dia a dia, nos revela os estragos que a incapacidade de
expressar sentimentos pode fazer nas nossas vidas e nas vidas daqueles que
amamos. Neste livro o Modelo de Ajuda anda de braços dados com a Espiritualidade.
Outra boa notícia é
a de que “Jesus - Escuta Amorosa”, escrito a cinco mãos, está indo a todo
vapor. Regressando ao Sermão da Montanha, frei Carlos Mesters nos convidou para
aprofundar nas bem-aventuranças e imaginar como Jesus lidaria com as situações
limites do nosso cotidiano. A partir desta provocação nasceu a Vó Gertrudes,
uma mulher significativa, que começou a nos contar uma história, tão
interessante, que não poderia ficar restrita apenas a quatro capítulos do
“Jesus – Escuta Amorosa”. Foi, então, que ela pulou do “Jesus - Escuta Amorosa”
para o “Quem Tem Medo de Sentir”.
Voltando ao “Jesus e
a Escuta Amorosa”, podemos adiantar que em, apenas, dez capítulos, em uma
agradável prosa, a Teologia, a Exegese, a Catequese e os princípios do Modelo
de Ajuda são enfocados. Como uma chuva fina a narrativa cai e penetra nos
nossos corações, com a intenção de produzir bons frutos. A simplicidade e a consistência
dos escritos do frei Carlos são capazes de alimentar desde os mais letrados até
os neófitos em relação às coisas de Deus. Vale a pena dedicar algum tempo para
se deixar tocar por estes livrinhos.

Jesus
– Escuta Amorosa – Tina, a mascote, Márcio, Marlene Frinhani, Ângela Bernardes,
Malú e frei Carlos Mesters
Seminários
de Fins de Semanas a partir de Maio de 2009
Queridos(as)
Irmãos(ãs).
Recebo a
oportunidade de cada “Encontro”, como uma graça Divina. Há trinta e três anos o
trabalho com grupos - profissionais e leigos - manifestou-se em minha vida.
Durante esse tempo, acumulei experiência e guardei, como um tesouro, tudo o que
me foi permitido viver junto com eles.
Parteiro por
especialidade médica, psicoterapeuta por exigência das pessoas que me
prestigiaram, e me prestigiam com a confiança no meu trabalho, descobri que a
minha missão nesta vida é fazer nascer aquelas que se encontram, ainda, dentro
dos úteros maternos, e ajudar a renascer aquelas que, na jornada da existência,
morreram emocionalmente nos embates do dia a dia.
Escrevi livros,
formatei uma escola de educação emocional com um programa sistemático de
desenvolvimento de habilidades de relacionamento interpessoal necessárias à
construção de uma convivência fraterna. Fiz inúmeras palestras e incontáveis
seminários para leigos, profissionais e religiosos.
Durante todos esses
anos alimentei, dentro de minha alma, alguns incômodos e uma esperança. Os
incômodos: De não ter criado um programa capaz de atender um grupo maior de
pessoas em um tempo menor. Os cursos extensivos duram vinte meses. De não ter
disponibilidade para atender, de imediato, nos grupos de convivência, as
pessoas em crise, a não ser nos atendimentos individuais que, a meu ver são de
limitada efetividade quando comparados com os atendimentos em grupo. Do
Seminário - Lidando com a Finitude e Elaborando as Perdas, tão transformador,
ter como pré-requisito o Treinamento Extensivo. A esperança foi a de que, no
momento adequado, o programa estaria tão amadurecido e aprofundado que ele
encontraria, por si mesmo, outros caminhos para uma oferta maior, com qualidade
e efetividade crescentes.
Pois bem, o momento
é agora, com trinta e três anos de vida, qualquer semelhança é claro que é mera
coincidência - ou uma imensa pretensão - estamos saindo de casa para a rua.
Nascem os seminários
de fim de semana em casas de retiro ou em pousadas campestres. O filho
primogênito, nascido em outubro de 2008, na Casa de Retiro Vicente de Paulo, no
Município de Igarapé, foi um trabalho de retorno à Casa Interior de Cada Um. A
Criança Interior foi reconhecida e tratada com muito carinho, principalmente,
quando exibiam as suas antigas feridas. Dois dias e meio de silêncio,
entrecortados por exercícios de Pausa, Foco, Intenção e Partilhas. Os medos
tiveram permissão para mostrar as suas caras. Foram reconhecidos, acolhidos e
reconduzidos aos seus devidos lugares – o imaginário. O Grupo aprendeu que a
dor nos ensina, o medo nos paralisa e, que, sofremos mais de medo do que de
dor.
Agora, nascem os
seguintes seminários:
·
Finitude – Aprendendo a Lidar com as Perdas
·
Seminário da Escuta
·
Visão e Libertação
·
Aceitação e Rejeição – Inclusão versus Exclusão
·
Perdão e Reconciliação
·
Em Busca de Si Mesmo – Banho de Si Mesmo
O Seminário “Perdão
e Reconciliação” é destinado a lavar as nódoas que mancham os nossos corações,
enche-os de culpa e de amargura, além de impedir a entrada da alegria e do
amor. Sem pré-requisitos, atenderá, através de um processo efetivo e comedido
(homeopático), leigos, profissionais, religiosos, casais, solteiros (as),
viúvos (as), descasados (as), filhos (as), pais. Nasce, quase, junto com o
lançamento do livro Quem Tem Medo de Sentir – Transcender o Possível para Tocar
no Impossível -, um verdadeiro tratado do como fazer para conseguir perdoar.
O Seminário Em Busca
de Si Mesmo – Banho de Si Mesmo – é um retiro de silêncio, por isso envolve a
dimensão da espiritualidade. Quando escutamos a voz do silêncio, o Divino se
manifesta e o diálogo com o Altíssimo acontece, de maneira espontânea e
singular para cada um dos participantes.
As partilhas, três ao dia, alimentam o sentimento de pertença e
possibilita o aprofundamento – “sozinhos vamos mais rápido, juntos vamos mais
longe”.
Cada seminário é
acompanhado por um livro texto, publicado pela Ceap-editora.
Espero que o
boca-a-boca possa ser a grande campanha de divulgação. Todos os seminários
enfocam o relacionamento consigo e com o outro, a convivência e a fraternidade.
Todas as religiões e crenças são bem vidas nesse espaço ecumênico.
E, estando juntos,
peço a Deus que me tome com canal e que, dê-me força, coragem e sabedoria para entregar-me
à sua vontade. Que o nosso “encontro” possa ser um marco de luz e de paz, para
que, curados de nossas feridas interiores provocados pelos relacionamentos
inadequados, possamos, ajudar a outros que, também, necessitam desta cura.
Felicidades para
todos e que Deus nos abençoe nesta tarefa.
Belo Horizonte,
abril de 2009
Márcio L
Miranda
Programação
dos Seminários Durante o Ano de 2009
Finitude – Aprendendo a Lidar com as Perdas
Dias 29 a 31 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00
(cheques pré-datados)
Material didático: O livro: Quem Tem Medo
de Viver – Aprendendo a Lidar com a Finitude – Miranda M.L. Ceap-editora
(Incluído no pacote).
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461
Mês de Junho
Seminário da Escuta
Dias 26 a 28 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00
(cheques pré-datados)
Material didático: O livro: Quem Tem Medo
de Escutar – O Guia da Sabedoria – Miranda M.L. Ceap-editora (Incluído no
pacote).
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461
Mês de Agosto
Em Busca de Si Mesmo – Banho de si mesmo.
Dias 28 a 30 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00
(cheques pré-datados)
Material didático: Diário de Bordo
construído a partir de suas vivências. As aprendizagens que você foi, pela vida
a fora, garimpando. Poder partilhá-las é a sua grande oportunidade de
integrá-las no seu ser.
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461
Mês de Setembro
Perdão e Reconciliação – Trocando a água suja da amargura e do ódio
pela a água limpa do amor.
Dias 25 a 27 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00 (cheques
pré-datados)
Material didático: O livro: Quem Tem Medo
de Sentir – Transcender o Possível Para Tocar no Impossível. Miranda M.L.
Ceap-editora (Incluído no pacote).
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461.
Mês de Outubro
Aceitação e Rejeição – Inclusão versus Exclusão
Dias 23 a 25 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00
(cheques pré-datados)
Material didático: O livro: Quem Tem Medo
de Ser Rejeitado – Guia de Sobrevivência à Rejeição – Miranda M.L. Ceap-editora
(Incluído no pacote).
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461
Mês de Novembro
Visão e Libertação
Dias 27 a 29 (Sexta a domingo até as 12
horas)
Assessor: Dr. Márcio Lúcio de Miranda
Investimento:
Primeira parcela na matrícula: R$ 350,00
(Inclui a estadia)
Quatro parcelas mensais de R$ 250,00
(cheques pré-datados)
Material didático: O livro: Quem Tem Medo
de Ver – Guia do Observador – Miranda M.L. Ceap-editora (Incluído no pacote).
Pré-requisito: O desejo de participar
Os participantes deverão fazer uma
entrevista antes do Seminário. Para agendamento fazer contato com a Elizângela
-31-32268217 ou com Márcio -31- 86236461
Aconteceu no mês de Abril...
Seminário da Escuta com os Missionários Sacramentinos
de Nossa Senhora – 50 anos de história e dedicação.
No dia 25 de março
do corrente ano, a Congregação dos Missionários Sacramentinos de Nossa senhora
completou 80 anos de existência. Fundada pelo Pe. Jose Maria De Lombaerde em
25/03/1929 foi a primeira congregação masculina de religiosos no Brasil. Nasceu
na cidade de Manhumirim, em Minas Gerais.
A Escola de Educação
Emocional sentiu-se honrada quando foi convidada para ministrar o Seminário da
Escuta como parte da comemoração desses 80 anos de existência.
Trabalhar com um
grupo animado, dedicado e privilegiado intelectualmente não é uma tarefa
difícil e os resultados são sempre muito bons.
Sendo assim, queremos
agradecer a indicação do Pe. Luiz Paulo e o consentimento do Pe. Carlos Roberto
Altoé, SND, superior geral

Término de mais um Grupo do Finitude no
Sítio Sertãozinho na cidade de Moeda
Mais uma vez, Maguí
e Orestes nos receberam, com o carinho habitual, para, em parceria, fecharmos mais
um Módulo Finitude. Em sintonia com o clima da Semana Santa eles nos propuseram
fazer a Cerimônia do Lava-pés, e em seguida uma sessão de Hopono-Hopono. A
intenção foi de limpar, em nós, todos os pensamentos e padrões indesejáveis das
situações vividas que criaram embaraços em nossas vidas. Depois do delicioso
almoço, uma rápida sesta e em seguida fomos fazer o Pão da Fraternidade. Com as
respectivas fôrmas nas mãos, enquanto a massa crescia, fizemos a nossa meditação
andando no labirinto. Depois de pronto, partilhamos o pão e retornamos felizes
para Belo Horizonte. Assim, foi possível desfrutar da magia do Sítio
Sertãozinho, do afeto daquele maravilhoso casal, além da sabedoria e da
sensibilidade da nossa querida amiga, Maguí.

Joel, Antônio,
Renata, Carmem, Maria Tereza, Eliane, Arleth, Ana Selma
Joana
Gontijo - Lugar Certo
Fonte: Jornal Estado
de Minas – Domingo 12 de janeiro de 2009.
Não é preciso um
arsenal para plantar ervas, legumes e hortaliças em casa ou mesmo no
apartamento. O alimento fresco ainda serve para dar novo ar à decoração
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Gladyston
Rodrigues/AOCUBO FILMES |
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Kátia
Moreira montou no quintal de casa um canteiro para ervas, frutas e verduras |
Vivendo em cidades
grandes, são poucas as pessoas que podem se dar ao luxo de ir até o quintal e
colher verduras, legumes e ervas fresquinhos na hora de preparar as refeições.
Nos centros urbanos, a solução é mesmo fazer a feira, mas, para quem quer ter
sempre à mão temperos naturais, prontos para dar um sabor especial ao prato,
não é tão difícil montar uma horta doméstica. Além de proporcionar a quantidade
certa de ervas, legumes e hortaliças, sem desperdício, plantar mudas em casa
traz também a vantagem de ter o alimento a um custo quase nulo. O cultivo da terra,
mesmo que em pequenas proporções, também é uma atividade relaxante, um
incentivo para as crianças, e traz ainda uma alimentação livre de produtos
químicos. Como orientam os especialistas, qualquer cantinho, desde que arejado
e com boa incidência de sol, pode servir. Além de ser uma fonte saudável de
alimentos é uma terapia ocupacional de alta qualidade e uma maneira de valorizar
a decoração com a elegância dos aromas próprios da natureza. É só comprar os
equipamentos, e mãos à obra.
Qualquer pessoa, que
tenha um espaço livre em casa, (varanda, cobertura, terraço, quintal, área de
serviço), com alguma incidência de sol, pode se dar ao luxo de cultivar uma
hortinha de qualidade. O cultivo vai desde temperos, ervas medicinais e
aromáticas até hortaliças e legumes frescos, livres de produtos químicos. Segundo
as orientações da arquiteta Ana Paula Souza, dona da empresa Hortinha - Hortas
Domésticas Planejadas, que faz canteiros domésticos planejados, "podem ser
terraços, varandas, jardineiras existentes do próprio apartamento. O
fundamental é que bata sol", ressalta Ana Paula. Nos projetos que
desenvolve, a sua arquiteta busca entender os desejos de cada cliente, e as
diferenças em cada um dependem da disponibilidade de espaço, do nível de
insolação, gostos culinários e necessidades terapêuticas. "Para quem mora
na cidade, em casa ou apartamento, observamos o espaço com melhor insolação, de
A maneira mais fácil
e prazerosa de cultivar plantas em casa é ter um canteiro de ervas. Para quem
gosta de experimentar sabores, realçar aromas e incrementar visualmente seus
pratos, as ervas são uma opção. Além disso, a grande maioria possui
propriedades medicinais, o que permite seu uso terapêutico por meio de chás,
óleos, xaropes, pomadas, cremes e águas floridas. "Ter uma horta doméstica
proporciona bem estar, pois o verde das ervas, em composição com os recipientes
escolhidos, tornam atraente um cantinho da varanda que, muitas vezes, nem era
percebido anteriormente. Traz alegria também. Estimula nossa criatividade
gastronômica e nos permite cuidar melhor da saúde. Além de embelezar e perfumar
nosso lar", continua a arquiteta.
Engana-se quem acha
que é preciso dispor de um terreno grande para fazer uma horta, porque há
temperos muito fáceis de cultivar em vasos e jardineiras, que crescem
rapidamente, como: alecrim, arruda, babosa (aloe vera), boldo, capim-limão,
cavalinha, cebolinha, coentro, estragão, erva-doce, hortelã, lavanda/alfazema,
manjericão, manjericão roxo, manjerona, melissa/erva cidreira, orégano,
pimentas, salsinha, salsinha crespa, salsão/aipo, sálvia, tomilho. "E as
hortaliças e leguminosas mais simples e comuns para quem tem mais espaço e
bastante sol são: alface, rúcula, tomate, pimentão, couve, rabanete e
cenoura".
No preparo das
mudas, o ideal é usar um terço de terra boa, um terço de areia e um terço de composto
orgânico. Em relação à luminosidade, as mudas só se desenvolvem bem quando
plantadas sob sol pleno, e a rega vai depender da espécie. Na hora do plantio,
a distância melhor entre as mudas é de, geralmente,
Hábito
Trazendo para a
capital a herança da vida no interior, a agente comunitária de saúde Kátia
Maria Moreira, 44, mantém há 14 anos uma horta de 8m x 8m no quintal de sua
casa
Kátia também produz
o próprio adubo orgânico, com restos de alimento, cascas e serragem. Para
preparar a terra, ela usa o adubo intercalado com folhas secas e serragens,
fazendo a mistura quinzenalmente que, depois de três meses, está pronta para
receber as mudas. A rega é feita de dois em dois dias, com regador, ou
aproveitando a água da chuva por um sistema próprio de coleta. Como o consumo
de legumes e verduras é grande na família, conta que economiza no mínimo R$ 35
mensais, e até dá algumas plantas para os vizinhos. Mas a maior vantagem para
Kátia em ter uma horta em casa, além de colher os produtos fresquinhos, sem
agrotóxicos, é o prazer. "Eu relaxo mexendo na terra. As plantas já até me
ajudaram a enfrentar uma depressão”.
Não é preciso ter um
arsenal para montar uma horta. O mercado oferece uma variedade de equipamentos
e acessórios, mudas e insumos, que podem ser encontrados facilmente em grandes
supermercados ou lojas de jardinagem.
Em relação aos
gastos, a proprietária da Hortinha - Hortas Domésticas Planejadas, a
arquiteta Ana Paula Souza orienta que, em recipientes em apartamentos, o
custo da horta vai variar de acordo com a quantidade, tamanho e material (se de
barro, flandres, plástico, vidro, argila, metal, cerâmica ou fibras) dos vasos.
Em canteiros, um bom tamanho é de
Para iniciar o
plantio, é indicada a utilização uma jardineira, vaso ou cachepô com pelo menos
Na hora da montagem, é importante observar se o vaso ou jardineira já tem furos
para escoar a água. Caso contrário, os furos podem ser feitos com pregos e um
martelo no fundo, ou até uma furadeira, dependendo do material do vaso ou
jardineira que, quanto maior for, deve ter um número maior de orifícios. Para
garantir a drenagem, é importante cobrir o fundo do vaso com uma camada
generosa de argila expandida. A argila deve ser coberta com uma parte de areia
(que deve ser colocada uniformemente, com o auxílio de uma pá) ou com a manta
de drenagem.
O próximo passo é
misturar a terra adubada e o húmus de minhoca, quebrando os eventuais caroços
para deixar a mistura bem fofa, que deve ser despejada na jardineira ou vaso,
com o cuidado de não estragar as camadas anteriores (areia e argila) e não
encher demais o recipiente. Uma boa dica antes de plantar as mudas e dispô-las
na jardineira para dar a noção do espaço que irão ocupar. Na camada de terra, é
hora de fazer as covas para cada muda que será plantada. Elas devem ser
retiradas dos vasinhos originais com a ajuda do arrancador de inço, para
preservar o torrão.
É importante retirar
o excesso de terra do torrão antes de depositá-lo na cova, usando o separador
de inço para prensar a terra. Os torrões não devem ficar soltos. Outra dica é
agrupar as ervas do mesmo tipo para facilitar a colheita, o que orienta o
plantio de acordo com o solo, luminosidade e quantidade de água necessários à
cada planta. Depois de preencher a jardineira ou vaso com as mudas escolhidas,
é bom completar o recipiente com a mistura de terra. Para finalizar, é indicado
usar cascas de pinus sobre a terra, que garantem a umidade e evitam a
proliferação de ervas daninhas, além de proporcionar um bonito efeito visual. O
último passo é regar as ervas e, se for o desejo, colocar plaquinhas
identificando-as. "O importante mesmo é observar o espaço com melhor
insolação, de
"Acreditamos
que o maior benefício não é apenas a "terapia", pois além de poder
cultivar as mudas sem os agentes tóxicos, você colhe fresco e aproveita mais
dos seus nutrientes e energia vital, já que encurta a cadeia que existe
tradicionalmente desde a produção de alimentos, passando por armazenamentos e
transportes".
Joana Gontijo - Lugar Certo - Fonte:
Jornal Estado de Minas – Domingo 12 de janeiro de 2009.
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Hortelã |
Salsa: ação digestiva, diurética,
hipotensora. O suco é rico em clorofila, metabolizando o oxigênio da circulação
e purificando o sangue;
Cebolinha: ajuda a digestão e o bom funcionamento do sistema urinário,
ação hipotensora;
Manjericão: ajuda a eliminar os gases intestinais e melhorar a digestão,
tem efeito tônico no organismo e ação antimicrobiana contra diversos tipos de
bactérias e fungos;
Alecrim:
ação antioxidante, ação, antimicrobiana, excelente tônico, tratando a memória e
estados depressivos;
Tomilho: ação antiespasmódica, ajuda a
eliminar gases intestinais, boa fonte de vitamina E, antimicrobiano;
Sálvia: ação antioxidante estimula o apetite, ajuda na digestão e ativa
o metabolismo corporal, redutor dos teores de glicose no sangue e melhora
hálito bucal;
Pimentas: ajudam a prevenir
coágulos sanguíneos, ação estimulante, com enorme variedade de tipos, cada um
com suas peculiaridades;
Capim-limão: efeito refrescante, calmante e digestivo, ajuda a eliminar
gases intestinais e aliviar espasmos abdominais;
Hortelã: estimula o apetite,
ajuda no processo digestivo, ação tônica no metabolismo, antivirótico,
bactericida, e vermífugo;
Erva-cidreira: ação calmante,
indicada nos casos de má digestão e gases intestinais.
Fonte: Hortinha -
Hortas domésticas planejadas
Lembranças*
(A
saudade é uma forma de adiar o trabalho constante e diário de ser feliz.)
A saudade é uma dor
provocada pelos pensamentos de coisas, fatos e pessoas do passado. Mas a
saudade não é uma coisa boa ou uma prova de amor. Todo sentimento que nos faz sofrer é adoecido. Pensar no passado, com
alegria, não é saudade, é apenas lembrança. O que caracteriza a saudade é a dor
profunda de saber que algo passou e não volta mais. A nostalgia dos tempos que
se foram e o saudosismo são sentimentos de quem está parado no tempo, tentando
viver de pensamento. Há uma relação direta entre esses sentimentos e uma
atitude de acomodação e depressão e a sensação de estar velho. A memória é um
dom maravilhoso e que nos facilita a vida e é um desastre quando usada para nos
despertar emoções que nos fazem sofrer. A mágoa e a culpa são companheiras da
saudade, enquanto memória do que já passou.
A saudade é uma
tentativa inútil de parar o fluxo da vida com seus riscos, suas dificuldades,
mas também com suas oportunidades. Os momentos de que temos mais saudade são
aqueles em que nos sentimos desanimados, desgastados e cansados. Quando somos
pessimistas em relação ao futuro, ansiamos pela volta do passado numa ilusão de
que anteriormente as coisas eram melhores. A saudade é uma forma de
arrependimento: “Eu era feliz e não sabia”. Podemos lamentar, queixar, chorar,
perdendo nosso tempo e nossa vida com saudade, mas nada voltará. O nosso lar é
neste lugar e neste momento. O presente é o palco de nossa atuação. Ele existe
para agirmos, fazermos, crescermos e vivermos. O passado é apenas um
pensamento. Tudo o que aconteceu no passado, doloroso ou prazeroso, é apenas
memória.
Quando a leitora diz
que sente saudade de tudo: lugares, pessoas, momentos, na verdade só temos
saudade de uma única coisa: da alegria, que sentíamos com aquela pessoa,
naquele lugar, naquele momento, e, se a saudade é sempre da alegria, podemos
tê-la no momento presente com outras pessoas, outros lugares ou outros
momentos. A saudade é uma forma de adiar o trabalho constante e diário de ser
feliz. É sonhar em vez de viver. O
que agrava é que fomos treinados para sentirmos saudade, como algo positivo e
bom.
*Antônio Roberto
Jornal Estado de
Minas 17 de outubro 2008
Os Cinco
Agregados*
De acordo com o budismo, os seres humanos são
compostos de Cinco Agregados (skandhas):
forma, sensações, percepções, formações mentais e consciência.
Os Cinco Agregados contêm em si tudo o que existe - tanto dentro como fora de
nós, na natureza e na sociedade.
Forma (rupa) significa o nosso corpo, incluindo os cinco órgãos dos sentidos
e o sistema nervoso. Aprenda a considerar seu corpo como um rio, no qual cada
célula é comparável a uma gota de água. A todo instante as células estão
nascendo e morrendo. O nascimento e a morte se apóiam mutuamente. Para praticar
a atenção plena ao corpo, siga o ritmo da respiração e focalize a atenção em
cada parte do corpo, desde o cabelo no alto da cabeça até as solas dos pés.
Respire sempre com atenção plena e abrace cada parte do corpo com a energia da
atenção plena, sorrindo com reconhecimento e amor. O Buda disse que existem
trinta e duas partes no corpo que devem ser reconhecidas e abraçadas.
Identifique os elementos que fazem parte de seu corpo: terra, água, ar e calor.
Entenda a ligação que existe entre esses quatro elementos dentro e fora de seu
corpo. Veja a presença viva de seus ancestrais e também das gerações futuras,
além de todos os outros seres dos reinos animal, vegetal e mineral. Tome
consciência das posições de seu corpo (de pé, sentado, caminhando, deitado) e
dos seus movimentos (dobrado, esticado, tomando banho, vestindo-se, comendo,
trabalhando etc.). Quando você dominar bem essa prática, conseguirá identificar
as sensações e percepções no momento em que surgem, sendo capaz de praticar com
atenção, olhando profundamente.
Observe a natureza impermanente e interdependente
de seu corpo, observe que ele não tem uma entidade permanente. Assim, você não
mais se identificará com o corpo nem o considerará como sendo o "eu".
Veja seu corpo como uma formação, vazio de substância própria que possa ser
denominada "eu". Veja o corpo como um oceano cheio de ondas ocultas e
monstros marinhos. Por vezes, o oceano pode se mostrar calmo, mas em outros
momentos é surpreendido por uma tempestade. Aprenda a acalmar as ondas e
dominar os monstros marinhos, sem se deixar arrastar nem ser apanhado por eles.
Através da prática da observação profunda, o corpo deixa de ser um agregado de
apegos e desejos, e você conquista a liberdade, para que nunca mais se sinta
prisioneiro do medo.
Sensações
(sentimentos): O Segundo Agregado são chamadas de as (vedana). Existe um rio de sensações, ou
sentimentos dentro de nós, e cada gota desse rio representa uma sensação. Para
observar nossas sensações, sentamo-nos na margem do rio e identificamos cada
uma à medida que passa por nós. Pode ser agradável, desagradável ou neutra. Uma
sensação qualquer permanece por algum tempo, e a seguir surge outra. A
meditação implica ter consciência de cada uma dessas sensações. Reconhecê-la,
sorrir para ela, contemplá-la e acolhê-la com todo o coração. Se continuarmos
com a contemplação, descobriremos a verdadeira natureza da sensação, e não
teremos mais medo, nem mesmo quando for uma sensação dolorosa. Saberemos que
somos muito mais do que as nossas sensações, e que somos capazes de acolher
cada sensação e lidar com ela.
Ao contemplar profundamente cada sensação,
identificamos suas raízes dentro do corpo, das nossas percepções e da nossa
consciência profunda. A compreensão de uma sensação é o início de sua
transformação. Aprendemos a acolher até mesmo as emoções mais fortes, usando a
energia da atenção plena, até que elas se acalmem. Praticamos a respiração consciente,
focalizando a atenção no abdome, que se eleva e se retrai a cada respiração.
Cuidamos de nossas emoções da mesma forma que cuidaríamos de um irmão ou irmã
pequenos, se fosse preciso.
Praticamos olhando profundamente nossas sensações e
emoções, para identificar os nutrientes que as alimentaram. Sabemos que se
formos capazes de ingerir nutrientes melhores, nossas sensações e emoções
mudarão. Nossas sensações são apenas formações, impermanentes e sem substância.
Aprendemos a não nos identificar com elas, a não considerá-las como nós mesmos,
a não nos refugiar nelas, e a não morrer por causa delas. Esta prática nos
ajuda a cultivar o destemor, e nos liberta do hábito de ficar agarrados às
coisas, até mesmo ao sofrimento.
Percepções: O Terceiro Agregado consiste nas chamadas (samjna). Dentro de nós corre um rio de percepções. Elas surgem,
permanecem por algum tempo, e depois desaparecem. O agregado da percepção é
composto da ação de prestar atenção, de nomear, formular conceitos, e também
daquele que percebe e daquele que é percebido. Quando percebemos algo,
normalmente distorcemos o que foi percebido, o que costuma ocasionar diversos
sentimentos dolorosos. Nossas percepções são freqüentemente errôneas, e quem
sofre com isso somos nós. É muito útil contemplar a natureza de nossas
percepções sem muitas certezas. Quando temos certezas demais, acabamos
sofrendo. Uma pergunta que se revela muito útil é: "Será que tenho certeza
disto?" Se nos fizermos sempre esta pergunta, há uma boa oportunidade de
olhar novamente e verificar se nossa percepção original estava errada. Aquele
que percebe e aquilo que é percebido são inseparáveis. Quando alguém
percebe erroneamente, a coisa percebida também está incorreta.
Um homem estava remando seu barco correnteza acima
quando de repente viu outro barco vindo em sua direção. Gritou diversas vezes
"Cuidado, cuidado!" mas o outro barco continuou sem se desviar, até
colidir, quase afundando o seu barco. O homem ficou furioso e começou a gritar,
mas ao olhar melhor constatou que não havia ninguém no outro barco. O barco
estava desgovernado, descendo o rio à deriva, e o homem acabou dando boas
gargalhadas. Quando nossas percepções são corretas, elas fazem com que nos
sintamos melhor, mas quando estão erradas, geram inúmeras e desagradáveis
sensações. Temos que observar as coisas com atenção, para evitar sofrimento ou
sensações difíceis. As percepções são um elemento fundamental do nosso
bem-estar.
Nossas percepções são condicionadas pelas aflições
já presentes em nós: a ignorância, os desejos, o ódio, a raiva, o ciúme, o
medo, a força do hábito etc. Percebemos os fenômenos sempre através de nossa
falta de compreensão da impermanência e da interdependência das coisas. Ao
praticar a atenção plena, a concentração e o olhar em profundidade, descobrimos
os erros contidos em nossas percepções e nos livramos do medo e do apego. Todo sofrimento nasce de percepções
errôneas. A compreensão, que é o fruto da meditação, pode dissolver nossas
percepções enganosas e nos liberar. Temos que estar sempre alertas, para não
nos refugiar nas percepções. O Sutra do Diamante nos lembra: "Onde há uma
percepção, há um engano." Seria ótimo se conseguíssemos substituir as
percepções por prajna, a visão
verdadeira, a sabedoria real.
Formações
mentais O Quarto Agregado são as chamadas (samskara). Qualquer coisa que seja feita
de outro elemento é uma "formação". Uma flor é uma formação, porque
ela é feita de luz do sol, de nuvens, sementes, terra, minerais, jardineiros
etc. O medo também é uma formação, uma formação mental. Nosso corpo é uma
formação física. Sensações e percepções são formações mentais, mas como são
muito importantes, receberam uma categoria própria. De acordo com a Escola
Vijnanavada, originária da linha de Transmissão do Norte, existem cinquenta e
uma categorias de formações mentais.
O Quarto Agregado consiste em quarenta e nove
dessas formações mentais (excluindo-se as sensações e as percepções). Todas as
cinquenta e uma formações estão presentes dentro da consciência armazenadora,
sob a forma de sementes. Cada vez que uma semente é afetada, ela se manifesta
nas camadas superiores da nossa consciência (mente consciente) como uma
formação mental. Nossa prática consiste em estar consciente dessas
manifestações, bem como da presença das formações mentais, contemplando-as em
profundidade para observar sua verdadeira natureza. Como já sabemos que todas
as formações mentais são impermanentes e sem substância real, não nos
identificaremos com elas nem buscaremos refúgio nelas. Com a prática diária,
poderemos nutrir e desenvolver formações mentais saudáveis, transformando as
não-saudáveis. O resultado dessa prática será a liberdade, a ausência de medo e
a paz interior.
Consciência: O Quinto Agregado é a vijnana.
A palavra consciência nesse contexto significa a consciência armazenadora,
aquilo que está por baixo de tudo o que somos, o alicerce sobre o qual erigimos
nossas formações mentais. Quando as formações mentais não estão manifestadas,
estão armazenadas na consciência armazenadora sob a forma de ciúme, medo,
desespero, e assim por diante. Da mesma forma que existem cinquenta e uma
categorias de formações mentais, existem cinquenta e uma categorias de sementes
enterradas profundamente no solo de nossa consciência. Cada vez que regamos uma
delas, ou permitimos que outra pessoa as irrigue, essa semente vai se
manifestar e se tornar uma formação mental. Temos que ter cuidado na escolha
das sementes a serem regadas por nós e pelos outros. Se deixarmos que as
sementes negativas cresçam, eventualmente seremos arrastados por elas. O Quinto
Agregado, a consciência, contém em si todos os outros agregados e é a base de
sua existência.
A consciência é, ao mesmo tempo, coletiva e
individual. O coletivo é feito daquilo que é individual, e o individual é feito
do coletivo. Nossa consciência pode ser transformada através da prática do
consumo cônscio, do uso consciente dos sentidos e da contemplação profunda. A
prática deve se voltar para a transformação tanto dos aspectos individuais
quando dos aspectos coletivos da consciência. É essencial praticar em companhia
da Sangha, para poder produzir essa transformação. Quando as aflições que
existem dentro de nós são transformadas, nossa consciência se converte em
sabedoria, emitindo a luz que indica o caminho da libertação, tanto para
indivíduos quando para toda a sociedade.
Os Cinco Agregados são interdependentes. Quando nos
ocorre uma sensação dolorosa, devemos olhar para o corpo, para as nossas
percepções, nossas formações mentais e nossa consciência, procurando a causa
dessa sensação. Se temos uma dor de cabeça, a sensação dolorosa vem do Primeiro
Agregado. Sensações dolorosas também podem se originar das formações mentais ou
das percepções. Você pode, por exemplo, pensar que alguém o detesta, quando na
verdade essa pessoa o ama.
Observe com atenção os cinco rios que correm dentro
de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro. Olhe para o
rio do corpo. No início você pode achar que o corpo é apenas físico e não
mental. Só que cada célula de seu corpo contém dentro dela todas as informações
contidas no seu corpo inteiro. Hoje em dia já é possível duplicar o corpo
inteiro a partir de uma única célula, o que chamamos de clonagem. A unidade
contém o todo. Uma única célula do seu corpo contém seu corpo inteiro. Isso significa
que todas as sensações, percepções, formações mentais e consciência estão
contidas em uma única célula - não apenas os nossos, mas também os de nossos
pais e de nossos ancestrais. Cada agregado contém todos os outros agregados.
Cada sensação contém em si todas as percepções, formações mentais e
consciência. Ao observar uma sensação, podemos descobrir nela os outros
elementos. Observe à luz da interdependência, e verá o todo na unidade e a
unidade no todo. Não pense nem por um instante que o corpo existe fora das
sensações ou que as sensações existem fora do corpo.
No Sutra Girando a Roda, o Buda diz: "Quando
nos apegamos aos Cinco Agregados, eles produzem sofrimento." Ele não disse
que os agregados são, por si mesmos, o sofrimento. Há uma imagem no Sutra
Ratnakuta que nos pode ser útil. Um homem joga um bolo de terra para um
cachorro. O cachorro olha para o bolo de terra e late furiosamente, porque não
entende que é o homem, e não o bolo de terra, o responsável por sua frustração.
O sutra continua: "Da mesma maneira, uma pessoa comum, presa a conceitos
dualistas, pensa que os Cinco Agregados são a causa de seu sofrimento, enquanto
na verdade a raiz do sofrimento está na falta de compreensão da natureza
impermanente, sem existência separada, e interdependente dos Cinco
Agregados." Não são os Cinco Agregados que nos fazem sofrer, mas a forma
como nos relacionamos com eles. Ao observarmos a natureza impermanente,
interdependente e sem existência própria de tudo o que existe, não sentimos
aversão pela vida mas, ao contrário, constatamos como a vida é preciosa.
Sempre que não entendemos muito bem, apegamo-nos
demais, ficando presos às coisas. No Ratnakuta Sutra, os termos
"agregado" (skandha) e
"agregado do apego" (upadana
skandha) são usados. Osskandhas são os Cinco Agregados que dão origem à
vida. Upadana skandhas são os mesmos Cinco Agregados vistos como objetos de
apego. A raiz de nosso sofrimento não está nos agregados em si, mas em nosso
apego. Existem pessoas que, devido à compreensão incorreta da razão do
sofrimento, em vez de lidarem com seus apegos, têm medo dos seis objetos dos
sentidos e aversão pelos Cinco Agregados. Um Buda é alguém que vive em paz,
alegria e liberdade, alguém que não tem medo nem está apegado a nada.
Quando inspiramos e expiramos e harmonizamos os
Cinco Agregados dentro de nós, realizamos a verdadeira prática. Mas praticar
não significa nos limitarmos aos Cinco Agregados internos. Temos consciência de
que os Cinco Agregados também têm raízes na sociedade, na natureza e nas
pessoas com quem vivemos. Medite no conjunto dos Cinco Agregados dentro de
você, até poder ver a unidade que existe entre você e o universo. Quando o
Bodhisattva Avalokita contemplou a realidade dos Cinco Agregados, viu o vazio
do "eu", e se libertou do sofrimento. Se contemplarmos os Cinco
Agregados com consistência, nós também nos libertaremos do sofrimento. Se os
Cinco Agregados retomarem à sua origem, o sentido de "eu" deixa de
existir. Enxergar a unidade dentro do todo significa romper com o apego a uma
falsa idéia de "eu", a convicção de que o "eu" é uma
entidade imutável com existência própria. Romper essa falsa visão significa se
libertar de todos os tipos de sofrimento.
*(Do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda” –
Thich Nhat Hanh)
As infiéis
Pesquisas revelam
que as mulheres traem mais porque se tornaram amorosamente mais exigentes
Elisa Torres e Marcia Cezimbra
A estréia nacional
do filme “Infidelidade”, de Adrian Lyne, em cartaz nas maiores cidades do país,
chamou atenção para um contraste. Quinze anos depois de causar polêmica com
“Atração fatal” (que conta a história de um marido infiel que põe em risco a
vida de sua família ao se envolver com uma amante tresloucada), o diretor
voltou ao tema, desta vez pelo ângulo oposto: em “Infidelidade”, é a mulher que
leva o marido traído a um violento descontrole emocional. Nestes quinze anos,
mudou o cinema ou mudaram os casais? Segundo as estatísticas, mudaram os dois:
as mulheres passaram a trair tanto quanto os homens. Pesquisa recente dirigida
por uma das mais conhecidas especialistas em separações conjugais dos Estados
Unidos, Emily Brown, diretora do Key Bridge Therapy and Mediation Center em
Arlington, mostrou que de 45% a 55% das americanas têm um ou mais
relacionamentos extraconjugais, contra uma variação entre 55% e 65% dos homens
infiéis.
Esse número se
repete no Brasil, segundo o psiquiatra gaúcho Gley Costa, com uma diferença: a
infidelidade clássica, na qual o cônjuge mantém um amante indefinidamente, está
se reduzindo drasticamente entre nós. Costa fez uma ampla pesquisa sobre o tema
com 4.500 casais na Fundação Universitária Mário Martins,
— São pessoas que se envolvem em triângulos por uma crise no casamento. Querem
terminar a relação ou rediscuti-la. Nos últimos cinco anos, as mulheres
começaram a trair mais, tanto quanto os homens. Mas com essa mudança, veio
outra: a queda da infidelidade. Há uma terceira revolução sexual, caracterizada
pela exigência de relações amorosas sinceras. As mulheres se tornaram
amorosamente mais exigentes. As infiéis são apenas desajustadas — diz Gley.
Autor de “Cenas conjugais”, livro recém-lançado pela Artmed em que analisa essa
terceira revolução sexual, Costa se interessou em buscar as causas deste
comportamento “desajustado”:
— Nos Estados
Unidos, Emily Brown, autora do livro “Affairs”, diz que 90% dos casais que
enfrentam esse conflito não se separam. A traição que resulta em divórcio é só
um meio de levar ao fim o casamento. Isso ocorre também no Brasil. Os
relacionamentos hoje tendem a ser mais verdadeiros e prazerosos, ainda que não
durem a vida toda, e permitem enfrentar fases de desajustes — diz.
Mas qual o perfil desses 20% que permanecem como infiéis à moda antiga? A
maioria, segundo Gley Costa, é de casais emocionalmente imaturos, que buscaram
o casamento por motivo de segurança:
— Quem se casa em
busca de segurança termina inseguro, colecionando amantes, procurando
experiências afetivas que não viveu.
As conclusões de
Costa sobre o aumento da infidelidade feminina foram também comprovadas em
pesquisa coordenada pela psiquiatra Carmita Abdo, no Projeto Sexualidade da
Universidade de São Paulo (Prosex), com 3 mil pessoas em vários estados
brasileiros. Segundo Carmita, a infidelidade masculina ainda é maior (63%), mas
as mulheres, sobretudo as mais jovens, estão traindo mais. Carmita explica este
aumento pelo fato de que a conquista do mercado de trabalho pelas mulheres
ampliou as oportunidades de infidelidade.
Mulheres
brigam e homens se envergonham
Especialistas dizem que a reação dos homens diante da descoberta do
adultério é mais discreta e melancólica.
Mulheres
são mais hábeis para esconder os amantes
A psicanalista
Marcia Rodrigues Ganime diz que o desejo de trair geralmente acontece quando
algo não vai bem no casamento, mas o perdão não é impossível.
— É claro que tudo depende da história de cada um, mas é muito comum o parceiro
ou a parceira querer viver algo novo. O casal precisa saber que a traição não
significa que o relacionamento tenha acabado, por mais difícil que seja perdoar.
Quando a relação é sólida, o perdão é perfeitamente aceitável. Apesar da marca
ficar para sempre, há uma possibilidade de a relação melhorar, já que o casal
conversará muito para conseguir se entender novamente.
Especializado em investigações de infidelidade conjugal, o detetive Leo Garrido
Portella trabalha com casos do gênero há mais de 30 anos. Ele diz que, na
maioria das vezes, é contratado por homens, e que as mulheres são mais
desconfiadas e ao mesmo tempo mais competentes do que seus maridos para
esconder amantes.
— O meu trabalho
diminuiu muito nos últimos 20 anos. Isto porque, até 1980, era preciso provar a
traição com flagrante de adultério para pedir a separação e quem o fazia eram
os homens, que são os últimos a desconfiar da traição. Hoje, as mulheres também
me contratam, e sempre que o fazem a suspeita é confirmada. Muitas fazem por
vaidade. A maioria delas pede o serviço do fotógrafo profissional porque
insiste em ver a cara de uma amante — diz Portella. O detetive acrescenta outro
dado novo: 80% dos seus clientes têm menos de 30 anos.
— A maioria é jovem
porque os casamentos se desfazem muito rapidamente. Como clientes, as mulheres
são diferentes dos homens até na hora de reagir ao resultado. Os homens são
mais discretos, têm vergonha de serem traídos e preferem se separar em sigilo,
sem fazer alarde. Já as mulheres têm a reação oposta: muitas fazem escândalo,
querem ver o rosto da rival, querem saber se a rival é mais bonita e partem
para a briga. Tive uma cliente que chegou a agredir fisicamente, na praia, a
amante de seu marido — conta o detetive Portella.
Para a psicóloga e terapeuta de casais Clystine Abram, presidente do Instituto
Brasileiro de Hipnose Aplicada, a traição pode gerar reações extremas na
vítima, além de atitudes descontrolas e impulsivas.
— São distúrbios
momentâneos de caráter provocados pela não aceitação da rejeição e do abandono.
Quando são rompidas a lealdade e a confiança, os sonhos e ideais em comum
desmoronam e há um sentimento de frustração intenso — ensina Clystine, para
quem a internet facilitou os contatos extraconjugais.
O que
leva à procura de outro parceiro
Os tipos mais comuns de ‘desajustados’. Para a especialista em terapia de
casais Emily Brown, toda infidelidade é um instrumento de defesa contra um tipo
particular de sofrimento. O sofrimento pode estar relacionado a temores de
conflito, temores de intimidade, temores de sentimentos de vazio e até
dificuldade de terminar um relacionamento.
A terapeuta diz que
toda infidelidade envia ao parceiro uma mensagem sobre o sofrimento
Com 30 anos de experiência clínica com casais, Gley Costa concorda que hoje o
traído não quer a separação, mas, antes, que o cônjuge termine com o amante e
volte à vida a dois:
— Eu costumo dizer a esses casais que todas
as situações de infidelidade, ainda que praticadas por apenas um dos parceiros,
têm a participação dos dois, revelando a história do casal. A maioria das
situações confirma a tese de que a fidelidade e a infidelidade, por caminhos
inversos, buscam segurança e estabilidade emocional.
Para Gley, a
fidelidade empedernida pode esconder o medo de ficar sozinho e a incapacidade
de auto-realização. E é, segundo ele, outro desajuste conjugal:
— Todas as possibilidades de infidelidade em um relacionamento conjugal
reforçam a tese de que a fidelidade é uma utopia, porque pressupõe a ausência
de memória e de fantasias. Mas pode ser também uma conquista do amor maduro,
dentro dos limites da condição humana — explica.
O psiquiatra vê com otimismo a diminuição da fidelidade clássica aliada ao
aumento das separações:
— Torna-se claro que a infidelidade é uma
forma de compensar as insatisfações do casamento. E o futuro parece ser de
relacionamentos mais prazerosos, apesar dos desajustes
O Anjo Que Impede a Passagem ou o Emplacamento
Que nos Protege!
No Livro dos Números existe uma grotesca história do vidente Balaão e de sua mula. O rei Balac pede ao profeta
Balaão que abençoe seu povo e amaldiçoe Israel, seu inimigo. Promete-lhe uma grande recompensa. Balaão se
põe a caminho, mas certamente sem
haver antes pedido instruções a Deus.
Então o Anjo do Senhor postou-se no caminho para lhe barrar a passagem. A mula
vê o Anjo com a espada desembainhada
barrando a passagem e desvia para o
campo. Mas Balaão, o celebre profeta, não vê o Anjo. A
mula, ao que tudo indica, é superior a ele. Por mais duas vezes o Anjo do Senhor lhe barra o caminho. Primeiro a mula imprensa a pé de Balaão contra a cerca tentando desviar-se. A seguir, a mula se põe de
joelhos. Cada vez ela é brutalmente açoitada por seu senhor. Então o Senhor
abre a boca da mula e ela fala a Balaão: “O que foi que eu fiz para você me
espancar três vezes?” A essa pergunta Balaão respondeu: “É porque você está
caçoado de mim. Se eu tivesse uma espada na mão, eu a mataria agora mesmo.” A
jumenta disse a Balaão: “Não sou a sua jumenta em que você tem montado sempre
até hoje? Costumo fazer isso com você?” Balaão respondeu: “Não” (Nm22,308). Então o Senhor abre os olhos de
Balaão e ele vê "o Anjo do Senhor parado no caminho com a espada desembainhada na mão" (Nm 31). E o Anjo lhe diz: "Por que já por três
vezes espancaste a mula? Eu vim para
impedi-lo de passar porque você está seguindo o mau caminho" (Nm 22,32).
Este não é nenhum Anjo bonitinho e agradável, mas um Anjo que assusta. Um Anjo que impede a passagem. O grande vidente Balaão não o vê, porém sua mula o reconhece. A razão não reconhece o Anjo que impede a passagem para preservar-nos do mal. A mula, a esfera nosso
instinto, possui um sentido para o Anjo que nos barra o caminho. A razão acha que deve a todo custo continuar no caminho que vem seguindo. Que ainda deve produzir mais, organizar mais e planejar mais. Mas
o corpo reclama. Faz greve. Muitos
ficam então com raiva espancam o seu corpo, em vez de perguntar-lhe porque está criando dificuldades. Deus tem então que abrir
boca ao nosso corpo, para que ele
possa fazer-se compreender. A
linguagem do corpo não pode ser ignorada. E quanto mais espancarmos o corpo, tanto mais ele há de rebelar-se, até vermos por fim que nosso caminho é
perigoso e nos leva a ruína. Então agradecemos por o Anjo do Senhor nos haver barrado o caminho, para
sofrermos um dano maior.
De múltiplas maneiras o Anjo pode nos barrar o caminho.
Uma médica planeja mudar de posto. Mas ela simplesmente
não consegue encontrar moradia no lugar de
trabalho. Alguém tem vontade de empreender uma viagem.
Mas tudo sai errado. A agência de viagens perde sua reserva por descuido.
E agora e tarde para ainda conseguir um
lugar. Um chefe desejaria introduzir modificações na organização da firma. Mas todas as tentativas não dão em nada.
Outro gostaria de ser professor, mas todas as tentativas de colocação
fracassam. Muitos então ficam com raiva por
não conseguirem executar os seus planos.
Mas talvez fosse a hora de nos interrogarmos pelo Anjo que barra o nosso caminho. Talvez o Anjo quisesse advertir-nos para não trilharmos por esse caminho. Ou pelo menos deveríamos parar e mais uma vez refletir tudo. Não deveríamos, como Balaão,
alimentar uma fixação doentia pelo
lugar aonde gostaríamos chegar, mas
sim ouvir a voz interior, procurar saber se a mula não desejaria chamar nossa atenção para o Anjo que nos barra a passagem.
Com
crianças, o Anjo de Balaão se manifesta muitas vezes através de revolta e
recusa em determinadas situações. Os pais
acham que é simples teimosia do filho, ou que ele quer apenas impor a sua vontade. Claro que pode ser isso
também. Mas às vezes o filho sabe perfeitamente o que quer. Ele sente
instintivamente o Anjo fechando caminho.
Sente que este ou aquele não é um caminho que leva a bom termo. E em vez de espancar a mula, como Balaão, os pais deveriam antes refletir por que o
filho não vai adiante. Talvez nem o filho o saiba explicar. Mas, pela maneira
que ele fala de sua recusa, os pais podem perceber se trata de mera teimosia ou
se não existe ai um Anjo barrando o caminho. No medo que impede a criança colocar-se numa situação que a deixa
sobrecarregada, talvez o Anjo esteja falando. Quando um filho se recusa
ir para a casa do tio, quase sempre ele tem boas razoes. A criança sente que o tio não lhe faz bem, que ele
ultrapassa seus limites. Há crianças
de quem o tio abusou e recusam a
voltar novamente a sua casa. Mas, como Balaão, os pais espancaram-nas. Não viram o Anjo que lhes barrava o caminho. Só queriam não dar ao tio
motivo de queixa e forçaram a criança
a voltar a casa dele. Até um dia que a criança se rende e termina sendo
violentada anos a fio. Teria sido melhor que
os pais tivessem escutado o Anjo que
lhes barrava o caminho, em vez de fixarem doentiamente em suas próprias
necessidades e desejos. Quando uma
criança empaca, sempre é conveniente
ver e ouvir com muito cuidado o que e que lhe está impedindo a passagem.
Talvez seja um Anjo.
A mula vê o Anjo e compreende-o. As crianças muitas vezes entram em contato com seu Anjo quando gostam dos animais. Muitas meninas são entusiasmadas por cavalos. Nem sempre está claro o que e que tanto as fascina. Talvez seja a força do animal, que não obstante se deixa domar por uma mão suave e amiga. Ao cavalo as meninas podem contar tudo quando os pais não querem ouvir. Crianças que cresceram na fazenda sentem uma predileção especial pelo estábulo. Ao voltar da escola, elas gostam
de ir primeiro ao estábulo e contar aos animais as experiências que tiveram na escola, suas preocupações. Outras acariciam o seu cão e sentem-se compreendidas por ele. Em seus animais de estimação, adivinham algo do Anjo que está ao seu lado, que as protege com sua força, mas que também as ouve e lhes barra a passagem quando enveredam por
caminhos errados.
Balaão, o celebre profeta, tem que se deixar instruir pela sua mula. Ele não consegue seguir adiante em seu caminho. Tem que primeiro abrir os olhos para reconhecer o Anjo que lhe fecha a passagem. A história nos ensina que não nos devemos fixar no que pusemos na cabeça. Precisamos abrir os olhos para os Anjos que nos barram o
caminho e nos impedem de ir adiante. Um Anjo assim pode se manifestar na resistência do marido ou da mulher ou dos filhos. Pode mostrar-se na recusa dos
colaboradores para seguirem nossas
instruções. Em lugar de forçar as resistências seria melhor refletirmos
se não há um Anjo que nos está
fechando o caminho, que desejaria preservar-nos de decisões erradas, que nos impede de andar depressa demais porque o caminho e excessivamente íngreme.
A importância do nome
(Extraído do livro:
O Livro das Bem-aventuranças e do Pai Nosso – Jean-Yves Leloup)
A palavra nome
e muito importante na tradição hebraica. O nome é
a presença. Quando amamos alguém que esta longe,
é bom que possamos interiormente dizer o seu nome.
E neste nome ha, algumas vezes, um pouco do seu perfume, de
sua energia, de sua presença. Como se aquela pessoa estivesse conosco.
E também o que diz o Salmo: "A noite eu
repito teu nome". Moises pergunta a Deus qual e seu nome. Qual e o nome desta realidade que nos faz existir? Qual e o
nome deste amor misterioso que faz
girar o mundo? Como chamá-lo? Porque
o nome é uma maneira de entrar em relação com as coisas. O nome não e uma etiqueta. Nós vivemos atualmente em um mundo de marcas e etiquetas.
Quando, no Livro do Genesis, Deus pede a Adão
para chamar as coisas pelo seu nome, ele não pede
a Adão para etiquetá-las. Mas pede-lhe para entrar em
relação com elas. De fazer entrar todos estes objetos, todas
estas realidades no mundo do sujeito, no mundo da presença.
Através do nome, passamos do mundo dos objetos para o
mundo das presenças, para o mundo das relações.
O nome do Pai introduz o feminino em Deus,
fazendo com que um homem seja pai pela presença da mulher e a mulher
seja mãe pela presença do homem. Assim pode haver um homem sem mulher, uma mulher sem homem, mas jamais haverá uma mãe sem um homem, um pai sem uma mulher.
Portanto, o nome que Jesus quer santificar é o
da relação. Na origem do mundo houve uma relação de
amor que o gerou. No mundo em que vivemos, alguns
homens gostariam de ser pais sem o concurso das mulheres.
E algumas mulheres gostariam de ser mães sem a
cooperação masculina. Atualmente, o sentido
das palavras pai e mãe foi perdido.
O nascimento do mundo é, portanto, este
encontro das polaridades masculina e feminina, cuja
origem é relação. Encontramos isso na física atômica, onde cada
átomo não existe em si mesmo e só existe em
relação com o outro. É, pois, necessário santificar e honrar a relação porque nascemos dela, nascemos de um encontro. E todos os
nossos encontros humanos são como um eco deste ato fundador.

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